Monday, August 10, 2009
Wednesday, February 11, 2009
Tuesday, February 10, 2009
Caro desafeto, já faz tantos anos, que eu nem me lembro mais de você. Liberte-se de mim e vá encontrar o “eu” pulsante dentro de você. Ultimamente estou numa fase tão zen que posso desejar todo o amor que existe em mim a você. Corte as amarras, existe vida sem mim. Pronto, falei.
Thursday, January 29, 2009
Tuesday, January 27, 2009
vida líquida
Não sei por onde começar a escrever. É uma inquietude que lateja, lateja cá dentro. Ou também seja uma relutância de não me encarar propriamente... Tenho me distanciado de mim nesses últimos dias, como se estivesse numa crise e pedido um tempo, mas para me conhecer de outra forma. Conhecer-me diante das pessoas e das situações inusitadas que a vida está me oferecendo, pois nunca tive tal chance. Chega de discutir profundamente comigo mesma...De ter tanto medo. Medo, medo. [pensamento de alguns dias atrás].
E foi quando eu resolvi ver no youtube uma entrevista dela. Clarice me despertou a vontade que estava adormecida aqui... eu já li um bocado de livros de Clarice Lispector, mas sinto que não dei a alguns deles a importância que mereciam. Pois bem, agora decidi reler tudo de novo... ao som de chet baker, como sempre fiz. E sinto que estou indo para cada vez mais perto do meu coração selvagem. Aos poucos, vou fazendo as pazes comigo mesma.
Vejo minha vida seguindo seu curso... como um rio, como um líquido vazando cristalino de um pote. Estou feliz demais.
Monday, October 06, 2008
verde, uma história sobre ressentimentos, fungos e bolores
É incabível culpar as circunstâncias pelo acontecido. Mesmo que ele hesitasse em passar daquela porta branca, bem decorada, da casinha verde, não conseguiria mais dormir em paz, com o peso dos assuntos pendentes ocupando o pensamento todo, de uma só vez. Culpar as circunstâncias seria mais fácil, repito, porque na época sendo ele muito jovem, muito bobo e viajado de menos para controlar suas sensações arranjadas de infiel. E então ela tirou a retórica que precisava para expulsar e lavar a cara do marido com as mentiras: "Todos os homens não prestam". E pronto, não havia brechas primárias, secundárias de discussão. O cardápio era aquele e ninguém ousava ir na contramão do gosto da chef. Ele, meio sábio, juntou seus pertences e deixou o sobradinho verde para trás, e dentro dele, deixou a Monalisa de papel, a champanha nacional que costumava beber no copo de plástico, seu chapéu de pescador, e o mais importante de todos os itens pessoais do rapaz, deixou uma mulher que ele demorou tempo demais para encontrar. Uma pena.
Observando o isqueiro de paris, sentiu-se intrigado ao reparar que o fluido era transparente, pois como os isqueiros são todos opacos, nunca foi possível saber a exata coloração do líquido inflamável. Transparente, o recipiente translúcido, verde. A maldita cor da casa, do vestido preferido dela. Pensava nela e sentia um desespero, porque não devia pensar, está parado na porta que ele mesmo fechou há muitos anos atrás, e daí, não há razão para momento tão revelador, para cutucar antigas mazelas. Está apenas de pé, colado na porta, tentando prestar atenção no isqueiro, para não tocar a maldita campainha. Mas ele toca. E sente um arrepio que cruza o corpo inteiro, um frio intenso que estala nos ossos. O impulso gélido chega até a cabeça num ímpeto de ansiedade. A cabeça dói, pesa, o olho não fecha, nada se move. Tudo pára, pimba, como numa mágica paradinha de bateria de escola de samba. Apenas cinco segundos. Eternos. Os gestos pesam toneladas, o ar é denso e poluído. Ele percebe que está chegando o momento da tão esperada epifania...e não só qpenas uma, viu, vai ser uma explosão simultânea de toda elas. A porta abre-se, e uma criança loira sai à porta. Alou, ô de casa. Epifanias se revelando, uma a uma... A pequenina espera um instantinho, mas sem ser correspondida, entra para seu palácio verde-céu de novo.
Para surpresa, ele se encontra escondido atrás de um vaso de Pinheiro-do-Paraná. Tão covarde, não teve meios de suportar a enxurrada de epifanias, velhas e cheirando à pêra mofada. O gosto latente em sua boca, era de pêra mofada, quase esbagacenta. Mofo. "Devo estar doente". Entra no carro, e pensa nos dez minutos mais insanos que viveu. De longe observava a casa, enquanto visualizava direitinho todas as partes do corpo dela em cada janela, porta e varanda do palacete. E a imagem da casa fundiu-se com a da mulher no pensamento rouqueado e tonto do quarentão ensandecido. Ela vestida de verde, enorme, indo de encontro à ele, flutuando. Coitado. A face enverdeceu, estava mesmo doente, mas não era doença física do corpo, era doença do coração. Coração embolorado, já fora diagnosticado. Um mofo espesso que se formou nas linhas onde bate, bem mais forte o coração.
Monday, September 01, 2008
Wednesday, August 13, 2008
Eu sempre tive problemas com as mulheres. O mais difícil de ser uma mulher é saber se relacionar com outras mulheres. Porque nós, mulheres, nem sempre somos poços de sinceridade e isso me incomoda muito. Não sei fazer aquilo que minha personalidade não permite. Tirando a minha mãe e minha irmã, meus relacionamentos femininos são escassos. As amizades se perdem, por vaidade talvez. Logo eu, que defendo tanto as mulheres em discussões ferrenhas, nos livros, nas músicas, logo eu que amo tanto esse magnético universo feminino, acabo preferindo as conversas com os rapazes. Prefiro estar rodeada deles, que são assim como eu, transparentes. Porque com cara não tem essa, não enfeita pra agradar. E assim me sinto mais a vontade comigo mesma, com meus papos e doses ingratas de sinceridade. E sempre foi assim.
Tuesday, July 29, 2008
Saudade de escrever um pouco. De jogar meus medos, minhas ânsias, decepções, empolgações na cara de meus leitores, se é que eles existem.
Estou lendo de novo. Após meses sem saber como era a sensação de ter 300 páginas novinhas nas mãos, cheirando a novo de livraria. Arquitetura da felicidade. A última coisa que eu queria era um livro que falasse sobre arquitetura nas férias. Mas meu pai, tão atencioso trouxe para mim de uma viagem à São Paulo.
No começo do ano ouvi falar sobre um arquiteto-filósofo, Alain de Botton, e seu novo livro com vocação para best-seller, o tal Arquitetura da felicidade. Fiquei com o título e o livro na cabeça. Depois de meses, aqui está ele, sorrindo pra mim ao lado do computador. O livro é fresquinho, dá pra digerir quase que numa sentada. E o mais revelador foi ler logo de cara, no primeiro capítulo, a idéia que tive recentemente para escrever. A casa como sujeito. Sujeito simples e único. Sim, a casa que testemunha a vida de seus moradores. Silenciosa e atônita ela vê, com suas paredes duras de concreto, luminárias bem trabalhadas, fundação de madeira maciça. A casa tem vísceras! Sente, não é passiva. O que me leva a crer: a casa é a unidade essencial na vida de uma pessoa, pense bem. Mesmo que você a ache estéticamente feia, com a pintura um pouco desgastada, ou mesmo que ela esteje passando ultimamente por uma epidemia de mofo. Você apesar de tudo, tem pra onde voltar.
Tuesday, May 27, 2008
Thursday, May 22, 2008
- Olha só como é a vida né... Veja bem: o kaká é tipo um agro boy, vai na exposição pra pegar mulher, fuma um paieiro... O yuri é um natureba. Gosta de reggae, não tem televisão, desfila de havaianas e anda com o manual do arquiteto embaixo do braço, já a taia é uma cult toda moderninha. E o mais impressionante de tudo é que os três ainda conseguem ser amigos!
risadas tempos depois.
Wednesday, May 21, 2008
Tuesday, May 20, 2008
Wednesday, May 07, 2008



Nós, tosquinhos, na época que beber cerveja era novidade. na vibe de causar. eu, solteira e nem um pouco triste, na companhia destes que nunca ninguém vai superar.
vdfg

"Ele espanta os monstros do meu pesadelo". Frase antiga, bem boba, redescoberta entre cliques apressados do mouse em lugares esquecidos. Sempre foi assim, sempre vai ser. Não importa como, nem porque nem onde nem nada. Ele é o meu amor maior. Igual em everwood, na cena final, onde ephram diz a amy que ela é o amor da vida dele. Isso tocou, é igual. Eu já tenho a certeza.
ggh
Tuesday, April 22, 2008
Eu nunca pensei que algum dia conseguiria ver todas as minhas emoções, mesmo as mais escuras, tão esclarescidas pra mim em alguma página de livro. E é mais ou menos assim que aconteceu. Desde o primeiro dia que eu li um conto dele, do livro morangos mofados, nem lembro qual, eu soube. A paixão veio repentina e eu nem pensei que ele seria capaz de superá-la. Ela, Clarice, a criatura mais fascinante que me mostrou o sentido da escrita. Falo como se fossem meus, porque de fato são, estão pulsando firme aqui dentro em cada letrinha do que dizem. Caio Fernando é virginiano como eu, quando soube fiquei tão feliz. Dois dias nos separam de termos nascido no mesmo dia. Imagina? Tão especial. Enfim, essa tarde traí ambos. Deixei-me levar pelas poesias rouqueadas de uma senhora que nunca tinha me roubado a atenção. Sylvia Plath. E que poesias! No bazar do livro tem uma coletânea de textos dela pela bagatela de cinquenta reais, só não comprei porque tinha cometido a extravagância de comprar o épico Casablanca. Tão lindo, estou amando. Desculpe Caio e Clarice. Mas essa semana eu sou de Rick, Ilsa e Sylvia.






