Eu nunca pensei que algum dia conseguiria ver todas as minhas emoções, mesmo as mais escuras, tão esclarescidas pra mim em alguma página de livro. E é mais ou menos assim que aconteceu. Desde o primeiro dia que eu li um conto dele, do livro morangos mofados, nem lembro qual, eu soube. A paixão veio repentina e eu nem pensei que ele seria capaz de superá-la. Ela, Clarice, a criatura mais fascinante que me mostrou o sentido da escrita. Falo como se fossem meus, porque de fato são, estão pulsando firme aqui dentro em cada letrinha do que dizem. Caio Fernando é virginiano como eu, quando soube fiquei tão feliz. Dois dias nos separam de termos nascido no mesmo dia. Imagina? Tão especial. Enfim, essa tarde traí ambos. Deixei-me levar pelas poesias rouqueadas de uma senhora que nunca tinha me roubado a atenção. Sylvia Plath. E que poesias! No bazar do livro tem uma coletânea de textos dela pela bagatela de cinquenta reais, só não comprei porque tinha cometido a extravagância de comprar o épico Casablanca. Tão lindo, estou amando. Desculpe Caio e Clarice. Mas essa semana eu sou de Rick, Ilsa e Sylvia.
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