Friday, July 21, 2006

de várias cores, retalhos

Daqui, meu rapaz, eu enxergo angústia. Vejo as nuvens se movendo concretas, tão densas, com um enorme letreiro incrustado na noite. Angústia. E tudo pisca. Sinto calor, sinto frio. Sou um misto de sensações janela acima. Queria estar lá fora, em algum banquinho feito pela lua, aquecido pelo coração. As nossas verdades nunca são inteiras, nunca fazem sentido depois que a gente discute com elas. No meu caso, eu cheguei berrando. Abri a boca e joguei os provérbios pra fora. Tudo que eu pensava há uma hora atrás, agora eu não já penso mais. Pois creio nas nuvens duras e nas revelações que me foram lançadas aqui, janela adentro. E daí que eu comprei a sandália dos meus sonhos hoje de tarde, se de noite tudo parece errado. Num curto intervalo de tons. E tudo parece aflito, espremido dentro do céu. Como se a gente precisasse de licença pra existir.
- “Hei, eu posso respirar enquanto penso?”.
A noite é uma pintura crua. De várias cores, retalhos.
E uma coisa é certa, garotinho. Eu estava muito mal intencionada quando me ofereci para ir à sua casa hoje depois das seis.

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